Terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Uma vida interrompida, livro que foi adaptado para o cinema, conta de um jeito diferente um caso de estupro e assassinato
Susie Salmon é uma menina que com 14 anos foi estuprada e assassinada pelo vizinho. Susie não é de carne e osso. Ela é uma personagem inventada por Alice Sebold no livro Uma vida interrompida – memórias de um anjo assassinado (Lovely bones, no original). Você já deve ter visto o trailer ou ouvido falar da sua adaptação para o cinema.
A história não é incomum e talvez não tivesse tanto destaque nem causasse um efeito tão forte se não fosse narrada pela menina. Susie conta, já no seu céu particular, sobre o estupro e o assassinato e tudo que veio depois. Como a família se desestruturou e como ninguém tinha pistas sobre o que tinha acontecido.
Ela conta tudo isso com ingenuidade e doçura. E um certo distanciamento. Não como uma história sem importância. As coisas só parecem não ser mais tão importantes assim. Ela fala do acontecido com a certeza de que não pode mais ser afetada por ele – como disse Teté Ribeiro no prefácio do livro.
A autora de Uma vida… teve uma história semelhante a de Susie. Alice Sebold foi estuprada quando tinha 19 anos de idade e estava no primeiro ano de faculdade. Teve mais sorte do que várias outras mulheres que tinham sido estupradas e mortas no mesmo beco que ela sofreu a violência. Foi o que escutou na delegacia. Anos depois, escreveu Lucky: a memoir. Segundo Teté, escreveu este livro – bem mais duro – para que The Lovely Bones pudesse trazer a história suave e doce de Susie.
Imagens: Divulgação






















