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Cidades históricas

Terça-feira, 9 de março de 2010

Ouro Preto além das igrejas

Ouro Preto é cheia de festivais: de cultura, de inverno, de cinema, de jazz

Fazer um passeio em Ouro Preto tentando excluir tudo o que está relacionado a igrejas e arte barroca é praticamente impossível. A história e arquitetura da cidade, que é Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, rouba toda a cena. É comum entrar em pelo menos umas quatro igrejas durante um único dia. Da última vez que fui pra lá tentei fazer diferente: sair do roteiro comum e abandonar qualquer passeio que tivesse essa pretensão.

Para isso, comecei o dia em um distrito de Ouro Preto: Amarantina. É lá que fica o Museu das Reduções, o único no mundo com réplicas em escala real de grandes construções brasileiras. São 25 maquetes de monumentos como a Igreja da Pampulha (MG) e o Farol da Barra (BA). As maquetes foram construídas por quatro irmãos (os Vilhena) ao longo de 28 anos com os mesmos materiais das construções originais. Algumas chegam a ter plantas, água e luz de verdade (no site Projeto Redução é possível ver todas as maquetes).

Já em Ouro Preto, é hora de se esbaldar com uma bela comida mineira. São várias as opções na cidade, de self-services a restaurantes à la carte. Fique esperto com o preço: por ser uma cidade turística e de renome nacional, eles abusam. Uma boa opção é parar em uma pousada é perguntar a recepcionista onde você encontra um local barato e que valha a pena. A melhor parte desse almoço? Os doces caseiros: goiabada com queijo, ambrosia, entre tantos outros.

Depois do almoço, fui ao Museu do Oratório. Admito que, de certa forma, acabei caindo em algo relacionado a igrejas, mas tudo bem. Para quem não sabe ou se esqueceu, oratórios são capelinhas móveis de uso particular aonde as pessoas rezam. Dentro delas há um ou mais santos. Os oratórios chegaram ao Brasil pelas mãos dos colonizadores e ter um oratório em casa virou, digamos, mania nacional.

O Museu do Oratório de Ouro Preto foi fundado em 1998 e tem três andares com oratórios de todos os tipos e tamanhos. Para mim, as peças mais bonitas da exposição são os oratórios de concha. São quatro e fiquei um bom tempo sem conseguir tirar os olhos deles. As vigas e todas as flores que contornam o objeto são feitas com pequenas conchas. Além de ser muito bonito, não dá para deixar de pensar na paciência de monge do artista.

Saí do museu e fui ao Teatro Municipal de Ouro Preto, construído em 1769. É o mais antigo teatro em funcionamento da América Latina. Depois das obras de restauração em 2006/2007 o teatro ganhou uma bilheteria, um café e um sanitário, construídos em um pequeno imóvel lateral.

Perca seu tempo pelas ruelas da cidade e acabe o dia na feirinha de artesanato. As duas principais “iguarias” artesanais da cidade são as joias em pedras preciosas, tão diversas quanto a quantidade de pedras encontradas na região, e as esculturas em pedra sabão. Pechinche o quanto achar que deve. Para comprar um colar disse que “a moça do lado fazia mais barato” e esperei o atendente diminuir o preço. Mas isso é uma dica, não é infalível.

Outros caminhos
Para quem quer curtir, as repúblicas dos estudantes da Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) promovem festas quase todos os dias da semana. Como disse uma amiga minha “estudante de república federal não tem hora pra ser feliz”.

Ouro Preto é cheia de festivais: de cultura, de inverno, de cinema, de jazz. Cada um tem um mês certo para acontecer e traz uma série de atrações.

Imagens: Juliana Afonso

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