Segunda-feira, 1º de março de 2010
Vingança, incompatibilidade intelectual e claro, o pau
Logo que fiquei sabendo da existência do livro de Fernanda Young, O pau, fiquei louca para ler. A vontade cresceu mais ainda depois que eu fiquei sabendo que ela era roteirista de programas como “A Comédia da Vida Privada” e “Os Normais”. Além disso, a história parecia interessante e ainda poderia me render um post para o FUN. Não perdi tempo, li o livro.
O livro conta a história de Adriana, uma designer de joias de sucesso, mas que não teve tanta sorte assim no amor. Depois de sofrer um aborto involuntário, ela se envolve com belo – e burro – ator de quinta. E mais novo que ela.
A princípio, ela tenta lutar contra a relação, já que, além da diferença de idade, a disparidade intelectual entre os dois era gritante. Como ela, uma mulher culta e independente, chegando aos 40, poderia se envolver com alguém de 24 anos e que usa blusas dois tamanhos menores, só para parecer mais forte? E que usa mais cremes que ela? E que nunca leu Nietzsche?
“A designer sente-se angustiada em estar com alguém que se preocupa mais em ir para a academia ou se besuntar de cremes do que ir ao cinema ou teatro. Mas ela está apaixonadinha e vai relevando, aquilo que para ela não tem remédio. Gentil, mas não da forma como ela precisa que seja. ‘Amor não tem nada a ver com pau, nem pau tem nada a ver com amor. Dificilmente, só mesmo por coincidência, acontece de pau e amor concordarem sob algum aspecto. Então, tiremos o amor da questão’, reflete ela, em um determinado momento.”
Indo contra seus valores, Adriana decide apostar na relação e é bastante generosa com o jovem: indica filmes, livros, o leva à Paris – tudo pago por ela -, lhe dá dicas de como se vestir e se portar melhor… Enfim, melhora o homem para que ele a troque por outra depois.
“Estava até disposta a ajudá-lo, desta vez. Comprou vários DVDs para assistir com ele, desde filmes clássicos a documentários. Emprestou livros para ele ler, fazendo uma seleção das obras mais fundamentais. Foi com ele a algumas boas peças, Shakespeare, Pinter. Passou a palpitar nas roupas dele (…) E se esmerou que ele tirasse as lições que tinha de tirar de tudo isso.”
O namoro segue mais ou menos, até que em uma noite, enquanto o bonitão dormia e roncava pesado na cama – depois do sexo -, o celular dele tocou. Adriana tentou resistir ao impulso de olhar (ela jurou a si mesma que jamais faria coisas desse tipo) mas acabou cedendo. No iPhone uma mensagem em branco, do remetente “sem número”. Minutos depois, outra mensagem igual. Intrigada com aquilo, Adriana não resolveu escrever de volta. A resposta, porém, não era bem o que ela esperava. “VOCÊ PODE ME LIGAR? SÓ QUERIA CONVERSAR. ESTÁ COM A VELHOTA?” Adriana leu tudo isso assim, em caixa alta. Teve a sensação de que lhe enfiaram um supositório de cocaína, nas palavras da personagem, tamanha é a corrente elétrica estranha que percorre seu corpo.
De repente, Adriana se descobre traída. O que fazer? Se vingar, é claro, pois como diz personagem, “a vingança é o pau duro da mulher”. A vingança eu não posso contar, mas empresto o livro para os que ficaram curiosos.
O pau é uma daquelas obras que podem ser consumidas em poucas horas, mas que, nem por isso, vale menos a pena. Fernanda utiliza uma linguagem deliciosa, daquelas que te envolvem durante a leitura. Além disso, o livro é bem humorado e irônico, bem a cara da autora.
Outro aspecto que eu considero muito positivo é o fato que de as situações vividas pela protagonista são corriqueiras e poderiam acontecer com qualquer pessoa. Mais que isso, a maneira como Fernanda escreve aproxima esses fatos das pessoas comuns – com seus descontroles, dúvidas e palavrões. É fácil se identificar com Adriana – seja você homem ou mulher.
Queria escrever mais sobre coisas específicas que gostei muito no livro, mas ele está emprestado… Mas acho que já deu pra sentir um gostinho né?
Imagens: Divulgação























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E ela conseguiu captar bem a mensagem desse esplêndido livro. Adorei o texto, Fafis.