Sexta-feira, 5 de março de 2010
Novo filme dos irmãos Coen decepciona
O professor, interpretado por Michael Sthulbarg, passa a questionar Deus por tudo aquilo que está acontecendo, mesmo com sua postura passiva
É bem possível que alguém desavisado possa pensar ao fim de Um Homem Sério que o longa leva a marca de Woody Allen. O filme usa e abusa da sensação do ridículo através do protagonista e daquele drama que vira comédia através dos tipos coadjuvantes peculiares. Infelizmente, o máximo que os irmãos Joel e Ethan Coen conseguiram fazer foi emular, no pior dos sentidos, aquilo que move a obra do nova-iorquino e, porque não dizer, de uma vertente do cinema atual, com Pequena Miss Sunshine à frente-o gosto pela desgraça.
O mundo do professor Larry Gopnik está prestes a cair. Sua esposa vai deixá-lo, a filha só pensa em se divertir e reclamar do tio que está sempre no banheiro e o filho praticamente só fala com o pai para que ele conserte a antena da TV. Até mesmo sua estabilidade no emprego está ameaçada, já que alguém envia cartas anônimas que fazem “alegações” para a comissão que decidirá seu futuro. Soma-se a isso o peso da tradição judaica que ele carrega.
É aí que está o grande gancho-que se torna problema na condução da trama, por não ser abordado com eloquência. O professor, interpretado por Michael Sthulbarg, passa a questionar Deus por tudo aquilo que está acontecendo, mesmo com sua postura passiva. Porém, o longa peca por dar ênfase as humilhações diversas sofridas pelo personagem, desde um vizinho que invade seu terreno até o pai de um aluno asiático que o ameaça. Em meia hora de filme, já é notável que estamos diante de um personagem que é desprezado por uns e usado pela família. Não era necessário mais do que isso.
Afinal, o filme propõe, já na primeira cena, o questionamento da fé . Esse questionamento só vai aparecer explícito com uma hora de projeção, quando já estamos com mais pena do pobre professor do que interessados em tentar entender o que isto significa pra ele, que foi criado para aceitar Deus acima de tudo. O personagem muda de atitude nessa busca, mas não o filme. A busca pelos porquês fica espremida em outras tramas que, nessa altura do filme, pouco fazem a diferença.
Bola fora dos Coen, que fizeram grandes obras como Fargo, E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, além do recente Queime Depois de Ler (não, Onde os Fracos não tem Vez não está entre eles). Mas não é todo dia que quem é bom de pontaria consegue colocar a bola no gol, não é?
Veja algumas cenas do filme:
Assista ao trailer:
Imagens: Divulgação




















